//Review – Cosmic Jesus
Jesus

Review – Cosmic Jesus

Cosmic Jesus é a quarta música do terceiro álbum de estúdio da banda brasileira Forfun, “Alegria compartilhada”. É difícil definir o gênero da banda, que passeia entre vários estilos musicais, indo de hardcore à MPB em alguns minutos.

Nesta faixa, a banda começa com uma base rock e um riff de guitarra acompanhado por uma introdução eletrônica característica do grupo. Logo em seguida, a música embala numa levada reggae com uma ótima linha de contrabaixo que segue com o vocal até o fim da música. Até que Black Alien invade a canção com suas rimas encomendadas pela banda. Musicalmente a canção não tem nada de novo ou surpreendente, talvez não entre sequer num top 10 da banda.

Contudo, como o leitor já deve ter percebido pelo título da canção, a temática e os conceitos apresentados pela letra é que chamam a atenção. Sendo Forfun um grupo musical que poderia ser classificado como “secular”, o que eles teriam para dizer sobre Jesus nesta música, e quem seria afinal esse tal “Cosmic Jesus”?

Na verdade, a faixa é carregada de ideias bem interessantes sobre a figura de Jesus, sua origem e missão assim como do que é bom ou mal quando se coloca esse Jesus em perspectiva.

Confira alguns trechos:

 

“Nos olhos da ciência que desvenda a alegoria

Soam os tambores em anúncio à boa nova”

“E lúcido diante da rica topografia

Sentiu a teia viva entrelaçada pela graça”

“Medita meio monge meio sábio

Presente no tempo presente o espetáculo, ao invés do vazio e do vácuo”

 

Pode-se notar a presença da clássica perspectiva natural de que a obra e a criação de Deus denotam sua existência como arquiteto e, de um ponto de vista pressuposicionalista, a causa necessária sem a qual nada do que existe seria possível. Assim, o papel do cientista é o de estudar a criação e glorificar o Criador contemplando Sua soberania e sabedoria impressa nela, e o dever de um lúcido observador diante da simples existência de tudo ao invés do nada é perceber que há algo mais além da matéria e da energia. O que infelizmente, não fazem.

 

Como diz o apóstolo Paulo em sua carta aos romanos:

Sabem a verdade a respeito de Deus, pois ele a tornou evidente. Por meio de tudo que ele fez desde a criação do mundo, podem perceber claramente seus atributos invisíveis: seu poder eterno e sua natureza divina. Portanto, não têm desculpa alguma.Romanos 1.19,10 (NVT)

E como diz o Salmo 19

Os céus proclamam a glória de Deus; o firmamento demonstra a habilidade de suas mãos. Dia após dia, eles continuam a falar; noite após noite, eles o tornam conhecido. Não há som nem palavras, nunca se ouve o que eles dizem. Sua mensagem, porém, chegou a toda a terra, e suas palavras, aos confins do mundo. Deus preparou no céu uma morada para o sol.Salmos 19.1-4 (NVT)

 

Assim, a criação é sim uma evidência suficiente de que há um criador: isso é a revelação geral. Contudo, ela não pode demonstrar quem é ou qual o caráter e vontade deste criador, isso é tarefa da revelação especial (a Bíblia).

Desta forma, é possível analisar o restante do conteúdo da música que não vai tão bem assim, pois, apesar de carregar verdades sobre O Criador, ela acaba caindo num sincretismo popular quase como o famoso “o que importa é fazer o bem, não importa o deus”:

 

“De forma plena vive como pode e como não, mas que pena

Mas se vale a pena, ele o próprio criador então

Cada um carrega a sua cruz à la cosmic Jesus, krishna, buda ou alá”

 

Vale notar ainda a curiosa e equivocada ideia de um Jesus cosmonauta (viajante de cosmos) que apenas observa e experimenta as coisas, mas não interfere, deixando uma lição:

 

“Amou e foi amado da maneira que podia

E na abóboda celeste além do stratocumulus

O cosmonauta constatou:

‘Cada um carrega a sua cruz’”

 

Afinal, não é possível cobrar rigor teológico e bíblico de um grupo que apesar de bem intencionado está bem distante da verdade revelada nas escrituras, mas assim mesmo andam “tateando no escuro”. Para terminar, ainda sobram boas reflexões sobre sofrimento e quão mal são as coisas tragicamente cotidianas em perspectiva à um Deus de amor.

 

“Morre na fila do sus o tal do cósmico Jesus

Motosserras abrem clareira, tribo cercada pelo garimpo

Extração ilegal de madeira, tá limpo!

Um benefício à beira do precipício

Atitude na latitude, entre games e bolas de gude

Sabe desde o início: Alma, espírito, corpo, mente

Sua jornada diligente faz valer o sacrifício

É isso”


Por: Gustavo Lugoboni

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